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Em discurso na África, Lula elogia Dilma e diz que "feliz é o povo que vai às ruas querendo mais"

Do UOL, em São Paulo 30/06/2013 09h04

Ricardo Stuckert/Instituto Lula

30.jun.2013 - O ex-presidente LuizInácio Lula da Silva participa de evento na África

Em visita à África, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo

(30) que o Brasil poderia se considerar um país feliz pelo fato das pessoas terem

liberdade de se manifestar nas ruas.

PROTESTOS PELO BRASIL

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"As pessoas querem mais no Brasil, mais transporte, mais saúde, mais salário,

questionar o custo da Copa do Mundo. Acho que isso é saudável para um país que

vive apenas 20 e poucos anos de democracia contínua", disse no discurso de

abertura do encontro sobre segurança alimentar organizado pela ONU e pelo Instituto

Lula em Adis Abeba, na Etiópia.

No discurso, Lula afirmou: "Nos últimos 15 dias, vocês ouviram pela TV e leram pelos

jornais muita movimentação no Brasil, passeatas, protestos. Queria dizer a vocês que

feliz é o país que tem um povo que tem liberdade de se manifestar. E mais feliz ainda

é um pais que tem um povo que se manifesta e que vai as ruas querendo mais."

Lula também elogiou a presidente Dilma Rousseff pela atuação nos recentes

episódios de protestos em todo o país. O ex-presidente esteve envolvido em uma

polêmica na semana passada, quando teve que desmentir supostas críticas feitas ao governo.

Reforma portuária: entre a modernização e o atraso

Aprovada em 16 de maio no Congresso, a medida provisória 592/2012, conhecida como MP dos Portos, segue agora para a sanção presidencial. O objetivo da lei é atrair mais investimentos ao setor portuário, de modo a melhorar a economia do país.

Pelos terminais portuários passam 95% do volume total de cargas destinadas ao comércio exterior. Mas a estrutura defasada e a burocracia impedem, hoje, o desenvolvimento econômico do país. A reforma estabelece novas regras de exploração dos terminais por empresas, incentivando a competitividade no setor.

Mesmo sendo uma lei importante para o país, a MP dos Portos correu o risco de ser “enterrada” no Congresso devido ao fisiologismo político. Movidos por interesses próprios ou de grupos específicos, os parlamentares – incluindo a base de apoio do governo, que compõe a maioria -- “travam” votações importantes para pressionar o Governo Federal.



Entenda o conflito no Mali e a geopolítica do Sahel

Criado em 2013-01-18 20:37

SÓ CLICAR: 



P I B brasileiro de 2012 cresce 0,9%



01 de Março de 2013 • 09h09 • atualizado 09h46



O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,9% em 2012, atingindo R$ 4,4 trilhões. Os números apenas do último trimestre do ano passado foram ainda piores: avanço de 0,6% em relação ao trimestre imediatamente anterior. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).



O resultado fechado de 2012 foi o pior desde 2009 - ano que o Brasil sentiu com maior intensidade os efeitos da crise econômica que começou nos Estados Unidos em 2007. Fora este ano atípico, o Brasil não via um resultado tão ruim quanto o de 2012 desde 1999, quando a economia avançou 0,25%.

O indicador que salvou o resultado do PIB no positivo no ano passado foi o consumo das famílias, que cresceu 3,1% em relação a 2011 e atingiu, em valores brutos, R$ 2,77 trilhões. Já as atividades que puxaram a economia brasileira para baixo em 2012 foram agropecuária (queda de 2,3% em relação a 2011) e indústria (recuo de 0,8%).

Outro indicador que despencou em 2012 foi a formação bruta de capital fixo (taxa de investimento) da economia, que foi 4% menor que em 2011. Com isso, a taxa de investimento em relação ao PIB total ficou em 18,1% - contra 19,3% no ano anterior.

O PIB per capita (valor total do PIB dividido pela população do País) alcançou R$ 22.402, mantendo-se praticamente estável (0,1%) em relação a 2011, segundo o IBGE.

Terra







FONTE: BBCBRASIL

A possibilidade de acompanhar a audiência geral do papa Bento 16 nesta quarta-feira, seu último grande evento antes de deixar o posto, levou um grupo de 30 peregrinos brasileiros a mudar seus planos de viagem para poder ver o momento histórico de perto.

Instalados em cadeiras bem ao centro da praça de São Pedro, no Vaticano, os brasileiros se disseram contentes e "abençoados" de poder estar no local.
"Eu não diria que foi coincidência estarmos aqui, mas providência divina", disse à BBC Brasil o padre Moisés Coelho, de 30 anos, de Cachoeira Paulista, no Estado de São Paulo.

Ele se disse triste por um lado, pela saída de Bento 16, mas também "feliz por saber que ele cumpriu seu papel e o momento que precisava viver enquanto papa da Igreja".

O padre Moisés e seus outros companheiros viajaram à Europa para um tour religioso organizado pelo grupo católico Comunidade Obra de Maria, com sede no Recife.

O tour começaria pela cidade bósnia de Medjugorje, local de uma suposta aparição de Nossa Senhora em 1981, passando depois pela Basílica de São Francisco em Assis, na Itália, antes de terminar em Roma.

Com a notícia da renúnica do papa, anunciada no dia 11 de fevereiro, o grupo rapidamente reviu seus planos para poder estar no Vaticano na manhã desta quarta-feira.

Padre Moiséis Coelho (Rogerio Wassermann/BBCBrasil)
Padre Moisés disse que seria bom ter papa do Brasil, mas que acolherá pontífice de qualquer nacionalidade
Questionado sobre a expectativa para a escolha do próximo pontifice, o padre Moisés Coelho disse que "seria muito bom" se fosse um brasileiro, mas que o acolherá "seja de qual país for".
Para ele, um papa brasileiro ou latino-americano poderia mudar um pouco a visão da Igreja Católica em relação a questões sociais, mas não mudará nada em relação aos dogmas cristãos e à administração da Igreja.
Poucas cadeiras à frente, enrolada em uma bandeira do Brasil, a mineira Rosemary Cirlene Prado, de 53 anos, disse que "seria ótimo" um papa brasileiro "da escolha do senhor Jesus e do Espírito Santo", mas afirmou que a nacionalidade é irrelevante.
"Vai ser alguém da vontade de Deus e do Espírito Santo, independentemente da nacionalidade", disse.
O paulista Ricardo Sá, de 51 anos, missionário da TV católica Canção Nova, disse que apesar de saber que existe a possibilidade da escolha de um papa brasileiro, "é preciso colocar a cabeça no lugar, porque já tivermos grandes surpresas com as escolhas de um papa polonês (João Paulo 2º) e um alemão (Bento 16)".
"É melhor guardar nosso coração para as surpresas que virão e deixar de lado as especulações", disse.
Ainda assim, ele afirmou que a escolha eventual de um papa brasileiro "chamaria a atenção do mundo inteiro para o Brasil" e poderia ajudar a reforçar o alcance da Igreja Católica no país.
Do outro lado da praça, um grupo de padres e freiras brasileiros agitava uma bandeira do Brasil ao lado de um grupo maior de jovens espanhóis, que cantavam em altos brados canções em homenagem ao papa.
Irmã Kelly disse que presença na praça de São Pedro foi forma de mostrar união da igreja
"É importante estarmos aqui neste momento tão decisivo da história para mostrar que nosso papa não está só. Para mostrar que somos uma Igreja unida e que estamos com ele na presença e na oração", afirmou a freira paulista irmã Kelly, de 26 anos.
Ela mora na Itália há três anos, em uma congregação na cidade de Rieti, e viajou a Roma especialmente para acompanhar a última audiência geral de Bento 16.
"A renúncia dele foi uma surpresa, mas ao mesmo tempo um grande exemplo de humildade, de responsabilidade e de amor pela Igreja", disse ela, que afirmou não acreditar na possibilidade de um brasileiro ser escolhido como substituto de Bento 16.
O frei Sebastião Régis, de 25 anos, que mudou de São Paulo para o Vaticano há menos de um mês, onde trabalha como auxiliar de um bispo italiano, disse que será "uma grande surpresa" se um brasileiro for escolhido como novo papa.
"É até difícil imaginar o que isso vai significar", comentou. Questionado se torce para que seja um brasileiro, ele afirmou: "Que seja o que Deus quiser".
'De onde for'
'Momento decisivo'






Ponto final para Mubarak
O ex-ditador egípcio Hosni Mubarak foi condenado à pena de prisão perpétua por conivência nas mortes de civis durante a repressão aos protestos pró-democracia que forçaram sua saída do poder. Um fato histórico, em sentido pleno.
O presidente deposto, de 84 anos, ouviu a sentença dentro de uma jaula montada no tribunal, deitado numa maca.
A imagem serve como signo dos avanços alcançados pela sociedade egípcia na direção da democracia e da garantia de direitos civis e políticos. Ocorre que a realidade é mais ambígua e complexa do que os muitos momentos simbólicos produzidos pela revolta popular no Egito nos últimos meses.
A própria saída de Mubarak do poder não coroou uma revolução tal como era desejada pelos manifestantes da praça Tahrir, no Cairo. Tratou-se, a rigor, de uma solução de compromisso, por meio da qual os militares conservaram poder político e econômico, além de seguir no comando da maior parte das instituições do Estado.
Teme-se que o espetáculo ora protagonizado por Mubarak cumpra função semelhante. No mesmo julgamento, foram absolvidos comandantes do aparato de segurança e policiais que teriam cometido ou ordenado assassinatos.
Opositores do ex-ditador denunciam que a absolvição dos responsáveis pelos crimes poderá favorecer Mubarak quando seus advogados recorrerem da decisão. A própria corte que o condenou afirma não ter encontrado provas que o ligassem diretamente aos assassinatos. A sentença favorável aos altos oficiais das forças de segurança do Estado já contribui, de toda forma, para preservar um dos alicerces do velho regime ditatorial.
A decisão ocorre duas semanas antes do segundo turno da primeira eleição presidencial democrática do país. Um dos candidatos no páreo é Ahmed Shafiq, ex-premiê de Mubarak e representante do establishment militar. Sua vitória representaria novo golpe contra os anseios de mudança manifestados nos protestos dos últimos meses.
O outro postulante, Mohamed Mursi, candidato da Irmandade Muçulmana, tampouco representa os manifestantes de primeira hora, de ideário laico e liberalizante. Mas a insatisfação com o veredicto motivou declarações de apoio a Mursi por adversários do velho regime derrotados no primeiro turno.
Apesar de instável, o processo de reformas políticas não pode ser tratado como uma farsa manipulada pelos militares há décadas no poder. O que lhes resta de controle sobre o Egito ficará evidente só na votação, daqui a duas semanas.
Folha de S.Paulo 05/06/2012




Infraestrutura relegada
Dilma Rousseff ganhou fama de administradora exigente, mas seu governo descura de obras importantes para destravar economia nacional
Em 1987, a ferrovia Norte-Sul tornou-se um símbolo dos escândalos da Presidência de José Sarney com a revelação -por Janio de Freitas, nesta Folha- de fraude na concorrência da obra. Um quarto de século depois, arrisca converter-se no emblema de incompetência dos governos desenvolvimentistas do PT no quesito infraestrutura.
Se um dia forem concluídos, os mais de 2.200 km previstos interligariam Açailândia, no Maranhão, a Estrela d'Oeste, no noroeste paulista. Açailândia, por sua vez, tem conexão com o porto de São Luís -alternativa mais vantajosa para escoar a produção agrícola do cerrado do que o transporte por caminhão até os portos do Sul e do Sudeste, como Paranaguá e Santos, distantes do hemisfério Norte.
Só o trecho de Palmas (TO) a Açailândia se encontra em condições operacionais. Os 855 km de Porto Nacional (TO) até Anápolis (GO) deveriam ser inaugurados em julho, mas ficaram para setembro de 2013.
O adiamento decorre da incapacidade da estatal Valec, responsável pela ferrovia, em manter cronogramas. Sua diretoria foi trocada em julho de 2011, entre as muitas denúncias que assolaram o Ministério dos Transportes. A direção atual acusa a anterior de privilegiar o assentamento de trilhos e descuidar das obras de proteção.
Resultado: em vários locais a ferrovia vem sendo tomada pelo mato, e barrancos resvalam sobre os dormentes. Como a estatal deixou contratos com empreiteiras vencerem, as obras estão paralisadas, e os trabalhos de contenção não podem ser realizados. Os R$ 8 bilhões já investidos estão ameaçados.
A Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) estima que 46 milhões de toneladas de soja para exportação sejam produzidas acima do paralelo 16, ou seja, ao norte de Anápolis. Sem a saída pelo Nordeste que a Norte-Sul ofereceria, calcula-se que o país perca em torno de R$ 12 bilhões por ano.
Mesmo que fosse concluída amanhã, no entanto, a ferrovia por si só não acabaria com o problema. Boa parte da produção não poderia ser embarcada nos trens, porque as obras de quatro pátios de carga não foram sequer iniciadas. A Valec diz que os editais para licitá-las sairão no mês que vem.
Dilma Rousseff passou quase cinco anos como chefe da Casa Civil de Luiz Inácio Lula da Silva. Ganhou então fama de administradora exigente das obras de infraestrutura -a "mãe do PAC", que Lula impôs ao PT como sucessora.
Transcorrido mais de um terço do mandato da presidente, a proliferação de maus exemplos como o da Norte-Sul põe em xeque essa imagem, cultivada com tanto zelo por Dilma e seus ministros.
Folha de S.Paulo 05/06/2012

Década de 2020 deve consolidar poder dos BRICs

Chinês limpa janela de arranha-céu em Pequim
Crescimento acelerado pode fazer dos BRIC potências econômicas e políticas
Os anos 20 deste século podem marcar a consolidação do fortalecimento de países emergentes como potências econômicas e políticas, em um mundo cada vez mais multipolar. Segundo acadêmicos e instituições de pesquisa, os chamados BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) serão peças-chave dessa nova ordem.
Para investigar que desafios cada país do BRIC terá pela frente, no caminho para se tornar uma potência em 2020, a BBC Brasil produziu uma série especial que começa a ser publicada nesta segunda-feira, reunido reportagens multimídia de nossos repórteres no Brasil e enviados especiais a Rússia, Índia e China.
Em 2020, com 3,14 bilhões de habitantes (40% da população mundial naquele ano, segundo projeções da ONU), eles devem chegar mais perto das economias do G-7, após terem crescido a taxas muito superiores às de nações ricas.
O National Intelligence Council, entidade do governo americano ligada a agências de inteligência, prevê que já em 2025 todo o sistema internacional - como foi construído após a Segunda Guerra Mundial - terá sido totalmente transformado.
"Novos atores - Brasil, Rússia, Índia e China - não apenas terão um assento à mesa da comunidade internacional, mas também trarão novos interesses e regras do jogo", afirma a instituição
"Muito provavelmente, por volta de 2020 vamos nos dar conta de que existe um equilíbrio muito maior no mundo em termos econômicos e políticos com o fortalecimento de países emergentes como China, Índia, Brasil e Rússia. Com um maior poder econômico, virá também um maior poder político e uma participação ativa desses países em organismos internacionais", disse à BBC Brasil Stepháne Garelli, professor da Universidade de Lausanne, na Suíça, e autor de um estudo que traça cenários para 2050.
Conceito complexo
O conceito de sistema multipolar é complexo e, ainda que boa parte dos analistas concorde que o mundo caminha para isso, o tempo que levará para que a China tenha voz no Fundo Monetário Internacional (FMI), o Brasil tenha um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU ou o Banco Mundial seja dirigido por um russo ou indiano variam muito.
Mas a discussão já não se limita mais ao meio acadêmico. Diferentes aspectos do que pode vir a ser um mundo multilateral (ou multipolar) já começam a aparecer em discursos de autoridades que estão no centro do processo de tomada de decisões internacionais.

Um exemplo recente vem de Gordon Brown, o primeiro-ministro britânico, que, às vésperas do encontro do G-20, em Londres, declarou no Brasil que "o tempo em que poucas pessoas mandavam na economia acabou".
Também às vésperas do encontro, o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, disse em entrevista a uma TV francesa que "soluções globais supõem que a governança de instituições como o FMI seja mais legítima, mais democrática, com espaço para os países emergentes e pobres".
Reunião do G-20
A reunião do G-20, grupo que une países emergentes aos países-membros do G-8, pode ser vista como um sinal dessas mudanças. A voz dos emergentes no cenário de crise ganha especial relevância.
Segundo boa parte dos analistas ouvidos pela BBC Brasil, eles não apenas serão menos afetados do que os países desenvolvidos pela crise, como também podem se recuperar mais rapidamente.
Essa possível recuperação mais rápida se baseia em alguns pilares que serão também propulsores do crescimento de longo prazo.
"A situação das economias desses países é muito diferente. Mas, de maneira geral, os BRIC estão mais bem posicionados para a recuperação do que muitas outras economias", disse Markus Jaeger, responsável por análises de longo prazo no Deutsche Bank.
Para Alfredo Coutinho, analista mexicano da agência Moody's nos Estados Unidos, a crise revela ainda a vulnerabilidade das economias desenvolvidas e deixa clara a necessidade de equilíbrio na economia global.
"É uma oportunidade para as economias emergentes, que devem liderar a recuperação", disse Coutinho.
Crise
Em entrevista à BBC Brasil, Jim O'Neill, economista-chefe do Goldman & Sachs, que criou a sigla BRIC em 2001, prevê que a crise até mesmo acelere a escalada dos emergentes, e diz que já em 2020 a economia desses quatro países encoste nas dos países do G-7, o grupo das atuais nações mais ricas do mundo.
Não faltam céticos em relação à projeção de O'Neill. John Bowler, diretor do Serviço de Risco por País (CRS na sigla em inglês) da Economist Intelligence Unit é um deles.
"Acho que esse processo será mais demorado. Há uma série de obstáculos à confirmação dessas projeções tanto no campo econômico quanto político", disse Bowler.
Apesar das ressalvas feitas por muitos dos ouvidos pela BBC Brasil, o "otimismo" de O'Neill não é isolado.
Um relatório da consultoria Ernst&Young, Global Megatrends 2009, por exemplo, afirma que "a fome de crescimento, junto com a rápida industrialização das economias e populações em expansão, põe os emergentes no caminho da recuperação mais rapidamente, e os países do BRIC são claramente os atores principais".
Essa fome de crescimento vem, em parte, da nova classe média que tem revolucionado o consumo nesses países. Segundo o Banco Mundial, 400 milhões de pessoas se encaixavam nessa categoria em 2005 nos países em desenvolvimento. Em 2030, deverão ser 1,2 bilhão de pessoas.
"A classe média, principalmente dos países do BRIC, será o novo motor da economia mundial", prevê Stepháne Garelli, da Universidade de Lausane e diretor do índice de competitividade, publicado pelo Institute of Management Development, que avalia 61 países em 312 critérios.
"É uma classe média ávida por comprar seu primeiro carro, seu primeiro celular de última geração. Não é conservadora como a classe média do atual mundo rico. Ela quer 'comprar felicidade'", acrescentou.
Padrão de vida
O valor do PIB dará posição de destaque a esses países no ranking global de economias, mas não será suficiente para levar as populações desses países a padrões de vida próximos ao dos países hoje considerados ricos.
O PIB per capita da Índia, por exemplo, deverá praticamente dobrar num período de 15 anos até 2020, segundo um estudo do departamento de pesquisas do Deutsche Bank. Ainda assim, representará apenas 40% da renda per capita nos Estados Unidos.
De olho em indicadores como o PIB per capita, Françoise Nicolas, economista do Instituto Francês de Relações Internacionais, prevê a ascensão das "superpotências pobres".
"Será um mundo multipolar bizarro. Os BRIC serão superpotências pobres com mais peso econômico, mas o discurso ainda não estará no mesmo nível dos países ricos", prevê Nicolas.
Além da pobreza, esses países enfrentam outros desafios, como a proteção ao meio ambiente.
"Eles querem ter maior poder de decisão e, ao mesmo tempo, em certas questões como o meio ambiente, querem continuar a ser tratados como países emergentes, que não podem cumprir as mesmas exigências dos ricos", disse Thomas Klau, chefe do escritório de Paris do Council of Foreign Relations.
*Colaboraram nesta reportagem: Bruno Garcez, da BBC Brasil em Washington, Daniela Fernandes, de Paris para a BBC Brasil, e Marina Wentzel, de Hong Kong para a BBC Brasil

Mundo em 2012

Eleições decidem futuro de Obama, Sarkozy e Putin

José Renato Salatiel*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
O mundo não vai acabar em 2012, dizem os cientistas, contrariando interpretações obtusas do Calendário Mesoamericano. Este ano, porém, será decisivo para alguns dos principais líderes mundiais, que devem enfrentar o veredicto das urnas em mudanças que, estas sim, terão impacto sobre o planeta.

Direto ao ponto: Ficha-resumo

Para se ter uma ideia da importância dos pleitos do ano, dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU – um dos mais prestigiados e poderosos órgãos internacionais –, apenas o Reino Unido não terá seu governante, o premiê britânico David Cameron, submetido ao teste de fogo do eleitorado. Todos os demais integrantes do conselho, Estados Unidos, França, Rússia e China, realizarão eleições cruciais para o futuro político de presidentes e primeiros-ministros.

Dois presidentes, o americano Barack Obama e o francês Nicolas Sarkozy, devem tentar a reeleição. Mas ambos estão com a popularidade em baixa, por conta da crise financeira nos Estados Unidos e na Zona do Euro.

Na Rússia, os planos de sucessão do premiê Vladimir Putin, há mais de uma década no poder, ficam cada vez mais improváveis diante das manifestações contra a corrupção que agitam Moscou. E na China, o regime comunista prepara uma renovação de 70% da cúpula partidária que governa o país há 62 anos.

Casa Branca

A disputa pela Casa Branca já começou e será acirrada. O processo eleitoral nos Estados Unidos é complexo (começa um ano antes das eleições) e polarizado entre dois partidos, o Democrata e o Republicano.

Neste ano, dois fatores tornam a escolha imprevisível. De um lado, os índices de aprovação de Barack Obama têm oscilado, gerando incertezas quando ao voto de confiança do eleitorado americano para mais um mandato.

Quando foi eleito, há três anos, havia muitas expectativas quanto às mudanças de rumo do país, sobretudo na área econômica, afetada por gastos militares com duas guerras no Iraque e no Afeganistão. A estagnação econômica e a falta de soluções em curto prazo abalaram a reputação do democrata.

Já os republicanos (segundo fator) não possuem, ainda, um nome forte para concorrer à Presidência. Na primeira prévia, realizada no Estado de Iowa em 3 de janeiro, dois pré-candidatos saíram como os mais cotados para concorrer ao cargo: Mitt Romney, ex-governador de Massachusetts, e Rick Santorum, ex-senador pelo Estado da Pensilvânia.

Em agosto, o Partido Republicano indicará o candidato de oposição e os democratas devem confirmar a candidatura de Obama. A eleição será em 6 de novembro. Além de presidente, os americanos escolherão senadores e deputados federais (Câmara dos Representantes).

Direita

A política também deve dominar Paris, onde, em meio à crise dos débitos na Europa, os franceses elegerão presidente e representantes da Assembleia Nacional. As eleições presidenciais acontecem em 22 de abril e 6 de maio, e as Legislativas, em 10 e 17 de junho.

Sarkozy foi eleito em 2007 pelo partido União por um Movimento Popular (UMP), de centro-direita, após derrotar os socialistas. O cenário político começou a mudar em setembro do ano passado, quando o governo perdeu a maioria no Legislativo. Foi a primeira vez, desde 1958, que a esquerda francesa conseguiu 175 das 348 cadeiras do Senado.

Em outubro, o socialista François Hollande foi escolhido candidato pela oposição, após a candidatura de Dominique Strauss-Kahn ter desmoronado em razão do escândalo sexual envolvendo o ex-diretor do FMI.

Desde então, as pesquisas de opinião têm dado vantagem a Hollande, apesar de a diferença ter diminuído nos últimos meses. O maior inimigo de Sarkozy nas urnas, entretanto, é a crise na Eurozona, que já derrubou nove governantes.

Outro líder que pode estar com os dias contados é Vladimir Putin. Desde dezembro, o Kremlin é alvo de protestos em razão de denúncias de fraudes nas eleições parlamentares. O partido de Putin (Rússia Unida) saiu vitorioso sobre os comunistas, mesmo com o aumento de cadeiras ocupadas pela oposição na Duma (parlamento russo).

Há 12 anos no poder, Putin era o favorito para as eleições presidenciais de 4 de março, quando apenas trocaria de cargo com o presidente Dmitri Medvedev. Protestos contra a corrupção no governo podem agora decretar o fim da hegemonia do Rússia Unida.

China

Nada de votos nem debates públicos. Na China, a alternância de poder será consolidada no 18o Congresso do Partido Comunista Chinês, realizado entre outubro e novembro próximos.

Nessa ocasião, o presidente Hu Jintao e primeiro-ministro Wen Jiabao serão substituídos no comando do partido por, respectivamente, Xi Jinping e Li Keqiang. E, a partir de maio de 2013, sucedidos também em seus respectivos cargos políticos. Um total de sete dos nove membros do alto escalão devem ser trocados.

A mudança na cúpula partidária na China é esperada com expectativa pelo Ocidente. O PC chinês sobreviveu à derrocada do comunismo no final dos anos 1980, adotando a economia capitalista. Mas, diferente da Rússia, manteve o Estado centralizador, alvo de constantes críticas por parte das nações democráticas.

Direto ao ponto volta ao topo
Dois mil e doze será um ano eleitoral decisivo para a política mundial. Dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, apenas o Reino Unido não terá seu líder, o premiê britânico David Cameron, submetido ao veredicto das urnas. Todos os demais integrantes do conselho, Estados Unidos, França, Rússia e China, passarão por processos eleitorais.

Nos Estados Unidos, a disputa pela Casa Branca será acirrada. A reeleição de Barack Obama é ameaçada pela queda nos índices de popularidade entre os americanos, enquanto os republicanos ainda escolhem o candidato de oposição.

O presidente francês Nicolas Sarkozy encontra dificuldades semelhantes no caminho do segundo mandato. Contra ele concorre o socialista François Hollande, primeiro colocado nas pesquisas de opinião, e o palco conturbado da crise dos débitos na Zona do Euro.

Na Rússia, os planos de sucessão do premiê Vladimir Putin, há mais de uma década no poder, são contrariados por protestos contra a corrupção, que se espalham pelo país desde dezembro. Já na China o 18o Congresso do Partido Comunista substituirá toda a cúpula do poder e preparará a saída do presidente Hu Jintao e do premiê Wen Jiabao, em 2013.


Saiba mais

  • Virada no jogo: como Obama chegou à Casa Branca (Intrínseca): John Heilemann e Mark Halperin revelam os bastidores da corrida presidencial norte-americana em 2008.
     
  • Trabalho Interno (2010): documentário vencedor do Oscar que explica as causas da crise econômica de 2008.

 

 

 

Ciência

A importância do erro

José Renato Salatiel*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
Há uma imagem do cientista que se tornou muito popular em livros escolares. Nela, ele é representado como um homem de avental branco, muito sério e concentrado em seus experimentos. Estaria ele prestes a fazer uma importante descoberta que revolucionará o mundo?

A realidade, porém, é mais prosaica. A ciência é menos um empreendimento solitário do que coletivo. E o trabalho do cientista envolve mais esforço físico e intelectual do que inspirações divinas.

E, nesse processo, o erro é muito mais comum do que se imagina. Mesmo aqueles considerados gênios, como GalileuNewton e Einstein, se deparavam com as tentativas, as falhas e os fracassos.

O erro, aliás, nem sempre é negativo. Ele desempenha um importante papel no avanço da ciência, desde que se saiba como lidar com a incerteza. Como dizia o cientista francês Louis Pasteur (1822-1895), “o acaso favorece a mente preparada”.

Para entender isso, é preciso examinar três passos que compõem o método científico. Primeiro, ao se deparar com um determinado problema – uma doença incurável, um mistério do cosmos ou a origem da vida, por exemplo – o cientista formula hipóteses, que são respostas possíveis para uma questão. É nesse momento que ele emprega a criatividade.

Em seguida, por meio do raciocínio dedutivo, o pesquisador extrai as consequências de sua hipótese. Ele formula, então, uma teoria, ou seja, uma regra geral que deve ser aplicada a todos os casos particulares.

Mas o trabalho não termina aí. Para que uma teoria seja aceita pela comunidade científica, ela deve ser testada, confrontada com os fatos. Inicia-se, então, uma série de testes em campo ou laboratório. É o chamado método indutivo. Neste processo, teorias cujos resultados destoam da realidade são descartadas, enquanto outras permanecem e ganham status de verdades, ainda que provisórias.

Einstein, por exemplo, lidava com um problema astrofísico no começo do século passado. Caso a teoria da relatividade especial estivesse correta, a teoria da gravidade de Newton estaria errada, pois esta concebia espaço e tempo invariáveis, enquanto aquela, relativos.

Ele então formulou a hipótese de que o espaço não seria plano, mas curvo, e que a massa e energia dos corpos celestes o deformariam, criando o campo gravitacional. Daí nasceu a famosa teoria da relatividade geral, que substituiu a cosmologia newtoniana.

Faltava, ainda, a comprovação. Duas famosas experiências foram feitas durante o eclipse solar de 1919, nas ilhas Príncipe, na África Ocidental, e em Sobral, no Ceará. Os experimentos comprovaram a teoria e Einstein ficou mundialmente famoso.

“Errologia”

Acontece que o público só fica sabendo dos resultados positivos da ciência. Tem-se, assim, a impressão da ciência como um conjunto de descobertas definitivas, que não demandariam gastos inúteis ou mal-empregados, de tempo e dinheiro.

Uma revista científica inaugurada neste mês, o “Journal of Errology” (Revista de Errologia), pretende abalar esse mito. A publicação vai divulgar um pouco do “lado B” da ciência: experimentos que não deram certo e teorias que foram deixadas de lado.

São, na verdade, hipóteses plausíveis, formalizadas em teorias até interessantes, mas que não passaram nos testes indutivos e, por isso, foram recusadas pela comunidade acadêmica. Mas nem por isso, acreditam os editores, deixam de ter uma função pedagógica. Afinal, se os erros são tão importantes na aprendizagem do indivíduo, porque experiências negativas não o seriam para os cientistas?

O erro de um cientista pode ajudar outro a evitar cometer a mesma falha, ou mesmo se tornar positivo quando as ideias são empregadas com diferentes objetivos e métodos.

Voltando ao exemplo de Einstein, depois de formular a teoria da relatividade geral, ele se deu conta de que ela descrevia um universo em expansão, contrariando o que até então se acreditava. Para dar conta desse problema (e preservar a concepção de universo estático), Einstein mudou as equações e introduziu uma variável chamada constante cosmológica, que impediria a evolução do cosmos.

Em 1920, Edwin Hubble provou que o universo estava se expandindo, ou seja, que as galáxias de afastavam umas das outras. Esta descoberta, por sua vez, levou à formulação da teoria do Big Bang, até hoje a explicação mais aceita para a origem do universo.

Anos depois, Einstein admitiu que a constante cosmológica foi o maior erro de sua vida. Porém, o “erro” de Einstein talvez tenha possibilitado mais avanços da ciência contemporânea do que qualquer outro acerto. E, mais recentemente, cientistas reconheceram que ele não estava tão errado assim, pois pode existir uma constante cosmológica agindo de forma inversa à força da gravidade.

A lição da ciência é que não há nada mais trivial do que tentativas e erros. Não se trata de desvios da verdade, mas de maneiras humanas de entender o mundo. Por esta razão, o filósofo francês Edgar Morin dizia que o maior erro que se pode cometer é ser insensível ao próprio erro.
Direto ao ponto volta ao topo
O Uma nova revista acadêmica inaugurada este mês, o “Journal of Errology” (Revista de Errologia), vai divulgar os erros dos cientistas, contrariando o habitual de publicações do gênero de comunicar apenas os resultados positivos da ciência.

A revista pretende, assim, que a comunidade científica tenha acesso a teorias e experimentos que não deram certo. Com isso, permitirá que cientistas não gastem tempo e dinheiro com hipóteses equivocadas ou mesmo que aproveitem teorias que, apesar de não terem dado certo numa determinada área, podem render bons resultados em outra.

Mesmo homens considerados gênios da ciência, como Einstein, cometeram falhas. E algumas delas até contribuíram para o avanço da ciência. Como diz o filósofo francês Edgar Morin, o maior erro que se pode cometer é subestimar o próprio erro.


Saiba mais

  • Journal of Errology: website da revista eletrônica, aberta para submissão de artigos (em inglês): http://www.bioflukes.com/All/bioflukes.
     
  • Os Erros de Einstein: as falhas humanas de um gênio (Larousse Brasil): livro de Hans C. Ohanian que mostra os impactos das descobertas de Einstein e também as falhas do cientista.
     
  • Ciência com Consciência (Bertrand Brasil): nesta obra, Edgar Morin fala sobre ciência e ética, com um capítulo sobre erros.

Parlamento grego aprova cortes em meio a protestos violentos

Atualizado em  12 de fevereiro,sília) 23:25 GMT
Policiais em Atenas, em 12 de fevereiro. | Foto: Reuters
A capital grega tem a maior onda de violência desde os tumultos em 2008
O Parlamento grego aprovou neste domingo novas medidas de austeridade em meio a protestos violentos em Atenas.
Durante todo o dia, protestos se espalharam no centro de Atenas em meio à indignação por causa dos cortes nos gastos públicos, que são uma exigência do FMI, da União Europeia e do Banco Central Europeu para liberar um pacote de resgate de 130 bilhões de euros (R$ 296 bilhões), que permitiria que o país pagasse suas dívidas.
A polícia usou gás lacrimogêneo contra os manifestantes, que atiravam pedras e coquetéis Molotov.
O correspondente da BBC em Atenas, Mark Lowen, diz que é o pior episódio de violência na cidade em muitos meses.
Diversos edifícios históricos, incluindo cafés e cinemas, estão em chamas. A praça Syntagma, no centro de Atenas, está envolta em uma nuvem de gás lacrimogêneo, segundo o correspondente.
Os manifestantes tentaram atravessar um cordão formado por policiais da tropa de choque em volta do Parlamento.
Ioannis Simantiras, de 34 anos, disse que os manifestantes foram encurralados pela polícia.
"Ninguém podia escapar do gás. Quando ele envolveu a todos e todos estavam sufocando, a polícia abriu um corredor para nós para longe do Parlamento. Então todos correram", disse à BBC.
Antes da votação, o primeiro-ministro Lucas Papademos disse que a Grécia não pode se dar ao luxo de ter protestos deste tipo em tempos tão difíceis.
"Vandalismos, violência e destruição não tem lugar em um país democrático e não serão tolerados, afirmou.
Neste domingo, os legisladores também aprovaram um acordo para tentar negociar com investidores privados uma redução de 100 bilhões de euros na dívida do país, que totaliza 360 bilhões.

Economia forçada

Conflitos entre manifestantes e policiais ainda acontecem em partes da capital. Horas antes, milhares de pessoas expressaram sua indignação com as propostas de cortes no segundo dia consecutivo de protestos.
Relatos dizem que cerca de 800 mil pessoas se juntaram às manifestações em Atenas, com outros 20 mil protestando em Tessalônica.
As medidas em votação incluem o corte de 15 mil empregos públicos, uma diminuição de 22% no salário mínimo, flexibilização de leis trabalhistas (para facilitar a demissão de trabalhadores) e um pacote de impostos e reformas previdenciárias.
Premiê grego em discurso na TV (Reuters)
Premiê fez apelo pela aprovação das medidas, para evitar 'desastre' na Grécia
As propostas têm provocado forte descontentamento entre o povo grego, já assolado por uma recessão econômica e por altas taxas de desemprego
Antes da votação, o premiê grego, Lucas Papademos, havia advertido, em um comunicado televisionado, que a não aprovação das medidas de austeridade forçaria a Grécia a declarar a moratória de suas dívidas, o que "levaria o país por uma aventura desastrosa".
"O custo social deste programa é limitado em comparação com a catástrofe econômica e social que aconteceria se não o adotássemos", disse.
Ele afirmou que economias seriam perdidas, que o governo seria impossibilitado de pagar salários e que as importações de combustível, remédios e maquinaria seriam interrompidas.
Os países europeus querem que a Grécia economize mais 325 milhões de euros este ano e insiste que os líderes gregos deem "fortes garantias políticas" da implementação dos pacotes.
O país não consegue pagar sua dívida e há receio de que uma eventual moratória prejudique a estabilidade financeira da Europa e leve até mesmo a uma desintegração da zona do euro.
No entanto, muitos gregos acreditam que já economizaram tudo o que podem e não conseguem lidar com mais cortes, segundo o correspondente da BBC.

Mesmo com clima de 'normalidade', greve faz carioca agir com cautela

Atualizado em  10 de fevereiro, 2012 - 16:43 (Brasília) 18:43 GMT
Quesontino Gosi
Gerente de loja, Quesontino Gosi diz que está de olho nas ruas para qualquer sinal de anormalidade
A decisão dos policiais civis, militares e bombeiros de entrar em greve no Rio de Janeiro levou os cariocas a adotarem uma postura cautelosa nesta sexta-feira, embora o comércio e o movimento nas ruas aparentemente não tenham sido prejudicados.
A notícia despertou temor em alguns, como a corretora de imóveis Rosemary Francionil da Silva, que disse estar com medo de sair na rua, mesmo morando ao lado da 10ª Delegacia Policial, no bairro de Botafogo.
"O bicho está solto, estou apavorada. Eu ia mostrar um apartamento hoje, mas cancelaram. As pessoas estão com medo de sair de casa", disse na portaria de seu prédio, enquanto policiais pregavam cartazes de greve na delegacia vizinha.
A delegacia estava operando com 30% do efetivo, atendendo flagrantes e casos de emergência.
Apesar do medo, Rosemary disse concordar com as reivindicações dos policiais. "É uma incoerência, mas acho que eles têm todo o direito de reivindicar, porque recebem muito pouco. O problema é que quem sofre é o povo."
A terapeuta Maria de Lourdes Diniz, moradora do mesmo bairro, estava indo a pé para o trabalho e afirmou que por enquanto não vê motivos para mudar sua rotina, embora torça para que a situação não se agravar como em Salvador.
"Estou preocupada com o Carnaval, que está próximo, e com a segurança das pessoas nas ruas", disse.

Precaução

Na zona sul do Rio, o movimento nas ruas era grande pela manhã e as lojas funcionavam normalmente. Mas o trânsito, normalmente pesado, fluía melhor do que o normal, indicando que algumas pessoas podem ter evitado sair por temer efeitos da greve.
"O trânsito hoje está mais vazio, nem parece sexta-feira. Acho que algumas pessoas resolveram cancelar seus compromissos e ficar em casa", disse o taxista Noir de Almeida.
Gerente de uma loja de vinhos em Copacabana, Quesontino Gosi disse que por enquanto não há motivos para preocupação. Ele abriu a loja normalmente e não cogitou reforçar a segurança. "Por enquanto, está tudo normal para todos os comerciantes da área", diz, destacando que havia visto diversos carros de polícia na rua.
Ainda assim, Gosi resolveu adotar uma cautela a mais: hoje, funcionários estão se alternando na porta de entrada para ficar de olho na rua. "Estamos atentos para qualquer anormalidade", justifica.
O motorista particular Wanderley Pereira Filho também considerou o dia "normal" e disse que não havia motivos para a população "entrar em desespero".
Mas antes de sair para o trabalho pela manhã, tomou precauções: ligou para a escola da filha para saber se haveria aulas, e para o 190 (serviço de emergência) para saber se a greve era para valer.
"Quis me certificar se estava tudo normal antes de sair de casa", justifica. "Mas me informaram que a polícia continuaria com 30% do contingente trabalhando e me tranquilizei."

Carnaval

O temor de que a greve possa afetar o Carnaval não havia chegado a Ivanete Vargas, que vendia perucas, plumas e outros enfeites em uma barraca de rua em Copacabana.

Ivanete Vargas diz apoiar grevistas, mas continua vendendo artigos de carnaval, como faz diariamente
"Estou de acordo com essa greve. Enquanto os grandes ganham milhões, os pequenos ganham uma mixaria. Não é safadeza não, acho que eles estão certos, têm que fazer alguma coisa", opina.
Apesar de os servidores terem declarado greve na noite de quinta-feira, o Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro informou nesta sexta que as unidades da corporação em todo o Estado estão funcionando normalmente, de acordo com a Agência Brasil.
Segundo a corporação, as saídas para atendimentos emergenciais estão preservadas, assim como a presença dos agentes nas unidades.HISTÓRIA DO BRASIL NOVIDADES

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